segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NÃO TEVE JEITO



Aumento de salário de R$ 15 mil para vereadores de Sorocaba é aprovado em 13 minutos

Valor vale para Legislatura 2013/2016



Pedro GuerraAgência BOM DIA
Bastaram apenas 13 de minutos da manhã desta segunda-feira para que os vereadores de Sorocaba aprovassem o aumento de salário para os colegas que assumirão o cargo a partir de 2013. Agora, eles vão receber R$ 15 mil mensais. Além disso, a Câmara aprovou a criação de mais um cargo de assessor parlamentar sem concurso.
Em protesto ao aumento, um cidadão acabou tirando a roupa e ficando só de cueca no plenário da Câmara. O produtor rural Reinaldo Martins Prado, 49 anos, foi contido por Guardas Municipais e retirado para fora do prédio do Legislativo.
“Eu não sou indecente, indecente é que o está acontecendo aqui. Indecentes são vocês”, gritava ao ser escoltado para fora, enquanto apontava para os vereadores.
Muito nervoso, ele disse que a aprovação foi um desrespeito com a população. “Sei que me excedi. Mas não podemos aceitar isso de boca fechada”, defendeu.
Reinaldo estava acompanhando um de grupo que compareceu para protestar contra a votação. Com nariz de palhaço, os sorocabanos seguravam cartazes com mensagens como “Presentão de Natal”, “PT = PSDB” e “Em 2012 daremos o troco”

PedidoO presidente da Câmara, Marinho Marte (PPS), disse que mesmo que não houvesse o aumento dos salários dos deputados federais - R$ 26,7 mil - o Legislativo já pensava em seguir o que determina a Constituição Federal. “Nós já estávamos querendo desvincular nossos salários do funcionalismo público”, disse.
Até esta segunda, o salário dos vereadores era reajustado de acordo com o índice concedido anualmente ao funcionalismo público. “Não podemos viver a reboque desse aumento. Se é um poder independente, ele tem que estar atrelado à Assembleia”, comentou.
Sobre a criação do cargo de assistente parlamentar, Marinho disse que também foi pedido dos colegas. “Tanto que os doisprojetos têm assinatura de todos os vereadores”, justifica.
Para ele, o desgaste sempre existe. “Agora é absorver o desgaste, trabalhar e enfrentar as questões políticas e as cobranças”, finalizou Marinho.

6é o número de assessores que os vereadores vão ter a partir de 2011, com a criação de mais um cargo no gabinete.

Salário do novo cargo é de R$ 3.016,72O salário dos novos assessores é de R$ 3.016,72. Para ocupar a vaga é necessário ter nível fundamental incompleto.

Remuneração segue agora a Constituição A Constituição determina que em municípios de mais de 500 mil habitantes, o subsídio máximo dos vereadores corresponda a 75% do valor recebido por deputados estaduais, que foi para R$ 20.025 - 75% da remuneração dos deputados federais, R$ 26,7 mil.

domingo, 19 de dezembro de 2010

ATÉ TU BRUTUS? OS CORRUPTOS SÃO SEMPRE OS OUTROS.


18/12/2010 01:47

Pacote da alegria na Câmara

Vereadores votam aumento de
salários para 2013 e a
criação de mais 20 cargos



Site da Câmara Municipal mostra as novas propostas
Pedro GuerraAgência BOM DIA

A Câmara de Sorocaba vota na segunda-feira, às 9h, um pacote da alegria. Na pauta estão o aumento de salário dos vereadores para Legislatura 2013/2016 e também a criação  de um cargo de assessor para cada um dos 20 parlamentares.

O BOM DIA teve acesso à votação das propostas por meio do site da Câmara Municipal. Na tarde desta sexta-feira, nem vereadores e nem assessores comentavam sobre a convocação da sessão extraordinária  feita pelo presidente da Câmara, Marinho Marte (PPS).

O primeiro projeto da pauta é o aumento dos salários. Se aprovado, a partir de 2013 o vereador eleito vai ganhar R$ 15.018,25 por mês.

A Constituição Federal determina que em cidades de mais de 500 mil habitantes, o subsídio máximo dos vereadores corresponderá a 75% do subsídio dos deputados estaduais, que corresponde a R$ 20.025. Já os estaduais recebem 75% da remuneração dos colegas federais, que é de R$ 26,7 mil.
 
Novos cargos Os 20 cargos de assistente parlamentar que serão criados caso o pacote seja aprovado serão comissionados, ou seja, sem concurso. O salário previsto é de R$ 3.016,72. Com a aprovação, os vereadores vão passar a ter seis assessores à disposição.

Na edição do último sábado, o BOM DIA publicou com exclusividade a intenção dos vereadores. O grau de escolaridade exigido para a ocupação da vaga é fundamental incompleto.

Os atuais funcionários dos vereadores custam aos cofres públicos, por ano, R$ 4,1 milhões. Com a aprovação de mais uma vaga a folha de pagamento passa para R$ 4,9 milhões.

Quem não teve ‘namoradinha’ que já fez aborto?

Arquivado em: Notícias — Prof. Felipe Aquino at 6:43 pm on quarta-feira, dezembro 15, 2010

O governador do Rio de Janeiro fez esta pergunta lamentável e chocante em um evento em SP, e afirmou que a legislação – que considera o aborto crime -  é “falsa” e “hipócrita”. (Folha de SP – 15/12/10).
É preciso responder esta sua infeliz pergunta. Gostaria de responder ao Governador, em meu nome – e creio, em nome de muitos – que jamais tive “uma namoradinha que fez aborto”. Jamais eu teria a coragem de usar uma moça;  e, pior ainda, depois fazê-la abortar. A formação que recebi de meus pais, de meus professores, e pela voz de Deus que fala na minha consciência, jamais eu teria a coragem de tal ato hediondo e pecaminoso.
O namoro não é um tempo de brincadeira, de vivência sexual vazia e irresponsável, onde se pode gerar uma criança e depois matá-la ainda no ventre da mãe. Por isso são lamentáveis as palavras do sr. governador. E não se pode justificar este crime hediondo com  a desculpa de um jovem ainda imaturo que tem o “direito” de brincar no namoro e  com a vida dos outros.
A pergunta do sr. governador nos leva a entender que ele deseja que o aborto seja descriminalizado para que os jovens imaturos possam continuar matando o fruto de um namoro sem compromisso, irresponsável? Será que há meninas que possam ser usadas como “namoradinhas” de uso e abuso? Quem aceitaria isso para sua filha ou irmã? Ora, é preciso ter mais respeito a tantas meninas e moças que se tornam vítimas nas mãos de rapazes desumanos. Quantas tiveram mesmo que abortar? E quantas estão sozinhas criando seus filhinhos porque tiveram a coragem e a dignidade de respeitar a vida do seu filho?
Quando o Papa João Paulo II esteve no Brasil a última vez, em 1997, fez uma pregação para os jovens no Maracanã, quando disse, entre muitas coisas que: “Por causa do chamado “amor livre” há no Brasil milhares de filhos órfãos de pais vivos”. E muitos nem mesmo tem o “direito de nascer”. Que uma criança seja órfã porque o pai morreu, paciência, mas deixá-la órfã com o pai vivo, sem o seu carinho e proteção, é uma covardia.
O namoro é o tempo sagrado onde dois jovens se encontram para começar a construir um casamento e uma futura família; é um tempo de conhecimento recíproco, respeito e amor. Mas não o amor erótico, mas o amor de Deus. Jesus mandou que nos amássemos, mas “como Ele nos amou”. E Ele nos amou pregado numa cruz. Isso é amor; uma decisão de fazer o outro feliz, e não de usar e abusar do seu corpo e depois matar o fruto desse “amor livre”. A grande crise dos casamentos e das famílias é a crise do amor. Amar não é gostar egoisticamente de alguém.
O Sr. governador do Rio de Janeiro afirma que manter a lei da criminalização do aborto é hipocrisia. Eu gostaria de perguntar-lhe o que é, então, matar uma criança inocente e indefesa no ventre da mãe?
O Instituto de Pesquisa “Vox Populi” acabou de publicar uma pesquisa,  encomendada pelo Portal iG,  divulgada  em 5/12/2010, onde mostra que  82% dos brasileiros são contra a legalização do aborto, 87% contra a liberação das drogas e 60% contra as uniões civis de homossexuais. Para 72% das pessoas, “o futuro governo da presidente Dilma Rousseff não deveria sequer propor alguma lei que descriminalize o aborto” – a posição é compartilhada por católicos (73%), evangélicos (75%) e membros de outras religiões (69%).
Portanto, a posição do sr. governador contrasta radicalmente contra o que deseja o povo brasileiro. Como pode um governante se opor tão paradoxalmente à vontade popular, se ele foi eleito para representar esse povo? Por outro lado, a pergunta do governador mostra um descaso tão grande à vida do ser humano ainda não nascido, e um desrespeito tão grande ao namoro, que faz doer o coração. Será que não há lições melhores a serem dadas aos nossos jovens? Será que algumas autoridades não deveriam pensar melhor naquilo que dizem?

Prof. Felipe Aquino

SÓ COMPLETANDO, ISSO FOI UMA TREMENDA FALTA DE RESPEITO AS MULHERES, E MAIS, NÃO NOS ESQUEÇAMOS QUE NOSSAS MÃES TAMBÉM JÁ FORAM NAMORADINHAS DE ALGUÉM, E ESSE ALGUÉM SERÁ QUE A RESPEITOU? ESSE RESPEITO FICA EXPLICITO NA FORMA DE PENSAR DOS FILHOS.
EXPRESSAMOS AQUILO QUE APRENDEMOS, VIVEMOS  E QUE NOS FAZEM PENSAR ANTES DE FALAR.
JÁ IA ME ESQUECENDO, 
NOSSAS FILHAS TAMBÉM SERÃO "NAMORADINHAS" DE ALGUÉM?

domingo, 21 de novembro de 2010

RELATIVISMO

O que é o relativismo?

Em síntese: O relativismo é uma corrente que nega toda verdade absoluta e perene assim como toda ética absoluta, ficando a critério de cada indivíduo definir a sua verdade e o seu bem. Opõe-se-lhe o fundamentalismo, que afirma peremptoriamente a existência de algumas verdades e algumas normas fundamentais. .. O indivíduo se torna o padrão ou a medida de todas as coisas. Tal atitude está baseada em fatores diversos, entre os quais o historicismo: com efeito a história mostra que tudo evolui e se tornam obsoletas coisas que em tempos passados eram plenamente válidas. A Igreja rejeita o relativismo, mas também não aceita o fundamentalismo: ao lado de verdades e normas perenes, existem outras, de caráter contingente e mutável. Ao cristão toca o dever de testemunhar ao mundo de hoje que a profissão d fé e a Moral católicas nada têm de obscurantista e de recusa dos autênticos valores da civilização contemporânea.
No fim do século passado manifestou-se com certa pujança o fenômeno do relativismo. Segundo esta corrente, o intelecto humano não pode alcançar a verdade como tal, mas apenas aspectos enquadrados dentro do subjetivismo de quem os professa. Essa relativização da Verdade e da Ética tem conseqüências de vasto alcance na vida moderna, de modo que lhe dedicaremos as páginas subseqüentes. Trataremos de apresentar as notas típicas do relativismo, suas causas e a atitude que cabe ao cristão assumir diante do problema.
1. Relativismo: em que consiste?
O relativismo é a recusa de qualquer proposição filosófica ou ética de valor universal e absoluto. Tudo o que se diga ou faça é relativo ao lugar, à época e demais circunstâncias nas quais o homem se encontra. No setor da filosofia não se poderia falar da verdade ou erro-falsidade, como na área da Moral não se poderia apregoar o bem a realizar e o mal a evitar. O homem (indivíduo) seria a medida de todas as coisas, como já dizia o filósofo grego Protágoras. Em conseqüência o comportamento do homem ignora a lei natural, que é a lei de Deus incutida a todo ser humano desde que ele dispõe do uso da razão; da mesma forma a sociedade só conhece e respeita as leis que os seus governantes lhe propõem sem questionar a consonância dessas leis (ditas “positivas”) com a lei do Criador: por conseguinte, se as leis dos governantes legalizam o aborto, a clonagem, o anti-semitismo. .., a população lhes obedece, não levando em conta que, antes da palavra do legislador humano, existe a do Legislador Divino, que é a mesma para todos os homens.
Os comentadores dessa situação chegam a falar de uma “ditadura do relativismo”, contra a qual não há como apelar para uma instância ulterior, mas elevada ou mais profunda. A essa ditadura aludia o então Cardeal Joseph Ratzinger aos 18 de abril de 2005 na homilia da Missa preparatória do conclave:
Baseando-se em Ef 4, 14 (“não vos deixeis sacudir por qualquer vento de doutrina”), advertia o pregador: “Quantos ventos de doutrina viemos a conhecer nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modalidades de pensar…! O pequeno barco do pensamento de não poucos cristãos foi freqüentemente agitado por essas ondas, lançado de um extremo para o outro: do marxismo ao liberalismo ou mesmo libertinismo, do coletivismo ao individualismo radical, do ateísmo a um vago misticismo religioso, do agnosticismo ao sincretismo. .. Todos os dias nascem novas seitas e se realiza o que diz São Paulo sobre a falsidade dos homens, sobre a astúcia que tende a atrair para o erro (Ef 4, 14). O ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é muitas vezes rotulado como fundamentalismo. Entrementes o relativismo ou o deixar-se levar para cá e para lá por qualquer vento de doutrina aparece como orientação única à altura dos tempos atuais. Constitui-se assim uma ditadura do relativismo, que nada reconhece de definitivo e deixa como último critério o próprio eu e suas veleidades”.
Assim é posta de lado a metafísica, de acordo com a advertência de Ludwig Wittgenstein: “É preciso não falar daquilo que a mente do homem não atinge”.
Examinemos sumariamente algumas modalidades do relativismo:
1.1. Relativismo filosófico
Não se pode pretender chegar a uma verdade objetiva, pois a mente humana não conhece a realidade como ela é, mas como o sujeito a consegue enquadrar dentro dos seus parâmetros de pensamento. A verdade portanto não é aquilo que a filosofia clássica ensina (conformação do intelecto com a realidade em si), mas, ao contrário, é a conformação da realidade com o intelecto. A verdade assim é algo de subjetivo, pessoal, em vez de ser objetiva e universal, para todos os homens. Já que não há um intelecto só para todos os homens, mas cada qual tem seu intelecto, diverso do intelecto do próximo ou mesmo oposto a este, em conseqüência há muitas verdades. Cada um tem a sua própria verdade.
1.2. Relativismo ético
Não existem normas morais válidas para todos os homens; os valores éticos variam de acordo com as fases da história e das culturas; há normas e opiniões subjetivas, que o indivíduo formula para si mesmo, fazendo uso da sua liberdade, que é refreada apenas pelos limites que os direitos alheios lhe opõem.
O relativismo assim descrito conhece um único absoluto, a saber: o ser humano ou, mais precisamente, a liberdade de cada ser humano. Essa liberdade é indiscutível .
Pergunta-se agora:
2. Quais as causas do fenômeno relativista?
Apontaremos cinco causas:
2.1. Filosofia imanentista
Imanência opõe-se a Transcendência. Significa a negação de todo valor que esteja além do alcance da experiência humana. Ora o relativismo contemporâneo é ateu; vê na religião e na Moral católicas um obstáculo  e um adversário, pois Deus parece escravizar o homem e a Moral católica parece destinada a tornar o homem infeliz ou cerceado. Como pode o ser humano levar Deus em conta, já que todo tipo de conhecimento não é senão uma “representação” mental e subjetiva?
2.2. O historicismo
O historicismo ensina que “tudo é histórico” ou provisório e variável; o que ontem era importante, hoje deixa de ser tal. Ora a verdade é conhecida e vivida na história, sujeita a contínuas mudanças; ela é “filha do seu tempo”. Tudo o que é verdadeiro e bom é tal unicamente para o seu tempo, e não de modo universal, para todos os tempos e todos os homens. Nenhuma cultura tem o direito de se julgar melhor do que as outras; todos os modos de pensar e viver têm o mesmo direito.
2.3. O contínuo e insaciável progresso
Apesar de todas as dificuldades e hesitações por que passa a ciência, há quem julgue que ela trará ao homem as almejadas respostas; proporcionará um crescente bem-estar, porque desvinculadas de qualquer ligação religiosa ou moral. Tenha-se em vista a teoria da evolução, que deu início à nova concepção da humanidade,. .. a época das luzes, que sucedeu ao “obscurantismo” medieval… os regimes democráticos, que tomam o lugar do ancien regime ou da monarquia absoluta dos reis…
2.4. O ceticismo
O ceticismo ensina que não há verdades objetivas e normas morais sempre válidas e que, mesmo que as houvesse, o homem não seria capaz de as apreender. Na época moderna, o ceticismo desponta com René Descartes (+ 1650), que propõe a “dúvida metódica” e vai dominando o pensamento posterior sob formas diversas: agnosticismo, empirismo, positivismo de Augusto Comte, fideísmo, “o pensamento fraco” (como dizem).
O relativismo é marcado também pelo ceticismo. A verdade é pragmática, prática: são verdadeiras e válidas as teorias que levam a resultados concretos satisfatórios; se determinada concepção resolve (ao menos aparentemente) um problema concreto, é tida como verídica e ponto de referência para o comportamento humano.
2.5. O utilitarismo
Associado ao ceticismo, o utilitarismo só aceita o que pode ajudar a viver em certo bem-estar aqui e agora. Tal bem-estar é geralmente hedonista, ou seja, avesso ao sacrifício, à renúncia, ao incômodo e tem por programa: “Maximizar o prazer e minimizar a dor”.
Exposto sumariamente o que seja o relativismo, resta perguntar:
3. Como diante dele se situa a Igreja?
Responderemos em duas etapas
3.1. A Igreja não é fundamentalista
O fundamentalismo é uma atitude que teve origem no ambiente protestante dos Estado Unidos na segunda metade do século XIX: apega-se ferrenhamente a certas proposições da Bíblia e não permite que sejam estudadas à luz das pesquisas lingüísticas e arqueológicas modernas, pois a ciência poria em perigo a fé. Portanto professa a criação do mundo em seis dias de 24 horas; Moisés seria o autor do Pentateuco tal como chegou até nós; o livro de Daniel terá sido escrito por inteiro nos tempos de Nabucodonosor (século VI a.C.)… O mundo moderno é dominado por Satanás, que Jesus derrotará definitivamente quando vier (e talvez venha em breve) a julgar os homens.
Fundamentalista é, por exemplo, a atitude do Islã, que propõe:
1) o Corão é livro divinamente inspirado e deve ser entendido ao pé da letra;
2) o Islã deve reger as leis do Estado, pois todos devem conformar-se aos preceitos de Alá.
O fundamentalismo, aliás, também penetrou em outras correntes religiosas, como o Judaísmo e o próprio Cristianismo (em alguns de seus setores).
Há também o fundamentalismo leigo, não religioso, principalmente no campo da política, quando se procura impor à sociedade o fanatismo de um chefe “carismático” e tirânico.
Pois bem; a Igreja não é fundamentalista. Ela aceita e promove os estudos bíblicos voltados para a lingüística, à arqueologia, a paleontologia. .. Professa que a Bíblia é inspirada por Deus, que utilizou formas de pensamento antigo e oriental para se revelar. A Igreja reconhece que, fora dela, existem valores suscitados pelo próprio Deus ou, como diziam os Padres da Igreja, existem “sementes do Verbo” (logoi spermatikói); cf. Declaração Nostra Aetate nº 2 do Concílio do Vaticano II. Professa outrossim a liberdade religiosa ou o direito que todo ser humano tem de estudar livremente a questão religiosa e viver de acordo com suas conclusões sem ser coagido a abraçar algum Credo que violente a sua consciência, nem adotar o ateísmo; ver Declaração Dignitatis Humanae do Concílio:
“2. Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Consiste tal liberdade em que todos os homens devem ser imunes de coação, tanto por parte de pessoas particulares, quanto de grupos sociais e de qualquer poder humano, de tal modo que, em matéria religiosa [in re religiosa], ninguém seja obrigado a agir contra a própria consciência, nem seja impedido de agir de acordo com ela, em particular e em público, nem só ou associado a outros, dentro dos devidos limites.
Declara, além disso, que o direito à liberdade religiosa está realmente fundado na própria dignidade da pessoa humana, tal como é conhecida tanto pela palavra revelada de Deus como pela própria razão. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa deve ser de tal forma reconhecido no ordenamento jurídico da sociedade que se transforme em direito civil”.
Para evitar mal-entendidos, seja dito: o Concílio apregoa a liberdade para pesquisar o problema religioso. Essa pesquisa, porém, é obrigatória, pois se trata de dar sentido à vida; se Deus existe, o rumo é um; se não existe, o rumo é outro. Ninguém está autorizado a fugir dessa pergunta: Deus existe? …Mas pesquise sem sofrer coação.
Há portanto um meio-termo entre o fanatismo cego fundamentalista e o relativismo. Quem não é relativista, não é necessariamente fanático.
3.2. A Igreja professa a Verdade Absoluta
A inteligência humana foi feita para a Verdade e não para a penumbra das semi-verdades ou do erro. O homem aspira naturalmente à Verdade; esta aspiração congênita não pode ser frustrada num mundo em que as demandas têm sua resposta; com efeito
- para o olho, há a luz para a qual ele foi feito.
- para o ouvido, há o som.
- para os pulmões, há o ar.
- para o estômago, há o alimento.
Não haveria então resposta para as aspirações mais elevadas do ser humano à Verdade e ao Bem?
A Igreja sabe que a Palavra de Deus revela com veracidade quem é Deus e qual o seu plano de salvação. Fora das verdades da fé, julga que o homem, pesquisando através de altos e baixos, pode chegar ao conhecimento da Verdade Absoluta.
O fato, porém, de professar a Verdade Absoluta não deve tornar o fiel católico cego e fanático. Sim; muitos seres humanos podem estar professando o erro, julgando que o erro é a verdade; estão de boa fé numa fé (ou religião) errônea. Deus não lhes pedirá contas daquilo que Ele não lhes revelou, mas há de julgá-los de acordo com os ditames da sua consciência que, sincera e candidamente, os impelia ao erro.
É o que ensina o Concílio do Vaticano II em Lumen Gentium nº 16.
“O Salvador quer que todos os homens sejam salvos. Aqueles portanto que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas de coração sincero buscam a Deus e se esforçam, com o auxílio da graça, por cumprirem com obras a sua vontade conhecida pela voz da consciência, também esses podem alcançar a salvação eterna. A Divina Providência não recusa os meios necessários para a salvação àqueles que, sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento explícito de Deus, mas procuram com a graça divina viver retamente”.
Há um só Deus para todos os homens; Ele distribui suas luzes sobre todo indivíduo como lhe apraz e não pede mais do que a justa resposta da criatura à Palavra que o Senhor lhe comunica.
Ao proclamar a verdade absoluta, a Igreja não ignora a influência, às vezes prejudicial, das culturas na formulação dos juízos religiosos e éticos de cada indivíduo, mas os católicos crêem que esses possíveis obstáculos e desvios podem ser corrigidos pela insistência de quem procura sinceramente.
Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, Osb.,
Nº 531, Ano 2006, Página 394.